- LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE -
Há séculos a Franco-maçonaria
adotou para seu lema o moto Liberte, Égalité, Fraternité, que mais tarde
foi incorporado à Revolução e República Francesa. Todavia, para ser válido,
esse elevado ideal deve ser vivido e aplicado integralmente. Mormente na
Maçonaria, por seu brilhante passado, tem de ser tão amplo e generoso que
inclua indistintamente todos os indivíduos, de ambos os sexos, e não ficar
restrito a um pequeno grupo de privilegiados, como vem ocorrendo dentro e fora
dela.
A rigor, o ideal expresso nesse
conhecido trinômio não nasceu com a Franco-maçonaria; é muito mais antigo. Suas
raízes mais profundas remontam à antiga Índia, onde tem sido enunciado e vivido
em termos diferentes e com significação mais subjetiva, ou seja,Libertação,
União e Compreensão, fatores básicos para uma formação saudável tanto do
caráter individual como do nacional. Onde quer que se desrespeite esse ideal,
ali reinam o caos, a confusão, a discórdia e a desintegração final.
Da Libertação nasce à liberdade
individual e coletiva, da União a igualdade, e da Compreensão a fraternidade.
Mas a iniciativa tem de ser espontânea e partir do interior de cada um,
individualmente. No país de Gandhi e Nehru há milênios este ideal é fundamental
em todas as suas escolas, religiões e sistemas de Yoga.
Onde houver qualquer tipo de
discriminação, mesmo que justificada, ali se estará negando o tão proclamado
ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e bloqueando a plena efusão do
Amor infinito que, segundo Cristo (Mat.6:45), “O Pai que está nos céus faz que
seu sol se levante sobre bons e maus, e chuva desça sobre justos e injustos”. E
que dizer então quando uma discriminação é feita, não por serem as pessoas más
ou injustas, mas simplesmente por serem de sexo diferente, o sexo que Deus lhes
deu?
Liberdade é o anseio nato de
todas as criaturas, pequenas ou grandes, de se tornarem integralmente livres,
subjetiva e objetivamente. Igualdade é o reconhecimento da origem divina comum
de todos os seres humanos e a outorga de oportunidades iguais, que o famoso
socialista e maçom francês Pierre Joseph Proudhon (1809-1865) assim formulou:
“a cada segundo suas necessidades e de cada um segundo suas capacidades”.
Fraternidade é a implantação de uma irmandade de seres humanos livres e justos,
isentam de discriminação de raças, sexo, crenças, castas e nacionalidades.
A Franco-maçonaria foi idealizada
e constituída numa época em que na Europa ainda subsistiam leis e costumes, os
mais retrógrados, herdados do feudalismo medieval e que mais tarde provocaram a
eclosão da revolução francesa e a radical transformação dos sistemas
econômicos, políticos e sociais, inaugurando progressivamente uma nova era mais
democrática para todos os povos. Desde então, homens e mulheres passaram a
tornar-se cada vez mais livres e auto-suficientes, política e culturalmente,
e desafiando abriram novos caminhos e preparou o terreno para a implantação
de uma ampla democracia, capaz de derrubar todas as barreiras separatistas. E a
democracia aí está, vicejante e forte, conseguida à custa de muito “ suor,
lágrimas e sangue”, porém, ainda se encontra em processo de aperfeiçoamento.
Nesta sua fase de transição
a democracia ainda mostra lacunas, porém são menores que as de outros
regimes. Com o tempo e nosso esforço ela atingirá a sua maturidade, tal qual a
sonhou Platão em sua Atlântida, Sir Thomas Moore em sua Utopia, e o
Apocalipse a prenuncia aos cristãos em sua Nova Jerusalém, que “descerá do
Céu a Terra”, ou seja, a democracia celeste se fundirá com a terrena.
Hoje assistimos a uma
irreversível evolução social em que as mulheres, antes discricionariamente
relegadas a um plano secundário, atuam ativas e altivamente, ombro a ombro com
os homens, na vida política, econômica, cientifica, social, artística, militar
e administrativa de seus países. Na Inglaterra, berço da Franco-maçonaria,
tanto os homens como as mulheres só atingiram a plenitude de seus direitos
democráticos durante o século vinte.
Por outro lado, em muitos outros
países, dos mais civilizados, evidencia-se a brilhante atuação do elemento
feminino como seus presidentes, primeiras-ministras, ministras, diplomatas,
magistradas, e exercendo funções militares tanto na paz como na guerra.
Durante os quase 300 anos que
decorreram, desde a reforma da Maçonaria em 1717, as Constituições e leis dos
países tem sido profundamente alteradas no sentido de democratiza-las à
evolução dos tempos. A escravidão, por exemplo, essa terrível chaga que a
Europa herdou de um passado remoto e tenebroso, nos fins do século dezoito
começou a levantar na Inglaterra ondas de protestos contra o seu comércio,
porém em 1807 o Parlamento promulgou uma lei proibindo-o. Em 1833 outro decreto
libertou cerca de 800.000 escravos nas Índias Britânicas, e em 1838 a
escravidão foi totalmente abolida na Índia. Depois foi extinta na colônia
francesa em 1848; nas portuguesas em 1856; na Rússia em 1861, e nos Estados
Unidos em 1865, depois de vencida a Guerra de Secessão. Finalmente em 13 de
maio de 1888, após longa, dura e memorável campanha, foi abolida na Brasil,
entre profusão de flores e extensos festejos populares.
Também na Inglaterra a Senhora
Millicent Garrett, G.B.E., (1847 – 1929), iniciou por volta de 1867 sua
campanha em prol do sufrágio das mulheres, a qual só culminou em 1918, nos fins
da I Grande Guerra Mundial, quando o Parlamento Britânico estendeu o direito de
voto à cerca de seis milhões de mulheres. Foi o glorioso resultado de um longo
e duro prélio em que as sufragistas, tanto nas ruas como nas prisões, mostraram
a tenacidade de suas fibras de lutadoras e a acuidade de sua inteligência bem
aplicada.
Durante as duas últimas Guerras
Mundiais as mulheres se destacaram e celebrizaram como mártires e heroínas nas
frentes de batalha em terra, mar e ar. Na França lutaram entre os “Partisans”
nas guerrilhas de resistência, e só depois da II Guerra adquiriram ali o
direito de voto e ingressar na Academia de Ciência e Letras. Na Inglaterra
desempenharam papéis importantes no Real Serviço Naval das Mulheres, no Serviço
Territorial Auxiliar, no Serviço Aéreo Auxiliar Feminino, em que milhares de
senhoras inglesas da nobreza e da plebe auxiliaram ombro a ombro as forças
combatentes, e mesmo, em alguns casos, assumiram funções combatentes.
Por outro lado, na retaguarda, em
seus países empenhados na Guerra, elas constituíram verdadeiros exércitos
femininos operando nos campos, fazendas e fábricas, para prover recursos vários
para a manutenção das forças combatentes, contribuindo notavelmente no esforço
nacional em prol da vitória. Terminada a guerra, continuaram as mesmas
atividades, porém em escala reduzida.
Milhares dessas heroínas perderam
suas vidas, saúde, ou filhos e pais nas frentes de batalha ou nos campos de
concentração inimigos. Que melhor prova que essa para mostrar o grau de
maturidade moral e espiritual atingida pela mulher moderna?
Na Bíblia cristã, nas antigas
Escrituras Sagradas de outras religiões, como na história de cada nação,
numerosas são as figuras femininas que as ilustram como modelos de virtudes e
exemplos de amor, abnegação e lealdade, para glória dessas nações e religiões,
e servir de padrão de conduta a seus cidadãos e adeptos.
Nos panteões das divindades e
heróis das mais antigas religiões e países, como o Egito, Índia, China, Ásia
Menor, Grécia antiga, Roma e outros, ao lado de seus deuses e heróis geralmente
está a sua Consorte, diversamente denominada Deus-Mãe, Mãe Divina, Magna
Master, Virgem Mãe, a Consolatrix Afflictorum, como o Divino Arquétipo
feminino a que devem aspirar ser todas as dignas esposas e mães.
Em suma, em todos os tempos e
regiões os povos cultos sempre reservaram um lugar de relevo para a Dama
Arquétipica a ser cultuada, respeitada e imitada, por seus sublimes dotes de
ternura, compaixão, proteção, paciência, compreensão, beleza e sabedoria.
Em 24 de Outubro de 1945, finda a
II Guerra mundial, com a vitória total das potências democráticas, foi fundada
a Organização das Nações Unidas (ONU), com sede permanente nos Estados Unidos,
cuja Carta Magna, entre outros objetivos, visa garantir o desenvolvimento dos
direitos humanos e liberdades fundamentais de todos os povos, sem distinção de
raças, sexo, línguas e religiões. Essa carta foi aceita e assinada praticamente
por todos as nações do mundo.
No Brasil, desde 1891 sua
Constituição declara que todos os cidadãos são iguais são iguais perante a lei,
sendo proibido e passível de punição qualquer discriminação de raça, sexo, cor
ou crença. De sorte que, neste país, toda mulher pode livremente concorrer a
cargos públicos na Magistratura, Universidades, Governo, Parlamento, Escolas,
Academia de Ciências e Letras, exército, bem como no comércio em geral.
Via de regra, em todo o mundo
civilizado contemporâneo não mais se antepõe óbices à admissão e colaboração do
elemento feminino, mas, antes, são solicitadas, e a tendência é tornar-se cada
vez mais atuante a sua participação em todas as atividades, nas mesmas
condições do elemento masculino, segundo as aptidões e méritos de cada um.
Sendo esse o quadro social imperante no mundo moderno, qualquer discriminação
antidemocrática irracional, que se faça nos dias de hoje contra nossos
semelhantes, se chocará inevitavelmente contra as suas leis e costumes,
muito mais avançadas no século vinte do que as suas congêneres vigentes no
século dezoito e em épocas anteriores.
Data vênia, eis porque as Grandes
Lojas e demais autoridades maçônicas devem estar atentas para esse grande fato,
vital e universal, antes de estabelecerem ou acoroçoarem normas
discriminatórias entre seus membros ou em seus regulamentos contra outras
entidades, maçônicas ou não, animadas de nobres objetivos e legal e
legitimamente constituídas. Cabe refletir que com o desaparecimento da
escravidão, mesmo a palavra “escravo”ou “servo”que ainda figura
no Landmark 18º da compilação de Mackey, emparelhado com o de
“mulher”, tornou-se anacrônico, obsoleto. Por esse Landmark o notável
filósofo mas “escravo”Epicteto seria recusado na Maçonaria, mas o seu senhor e
torturador e qualquer tirano poderia ser ali admitido com todas as honras, sob
a “abóbada de aço” !
A Maçonaria, que tanto se ufana,
com justa razão, de seu passado de gloriosas tradições, porém amiúde sendo
golpeada por rígidas discriminações, está agora destinada a entrar num futuro
muito promissor e de maior esplendor. Para tanto basta que ela franqueie
generosamente seu portal de Fraternidade a todos os povos, de ambos os sexos, e
que a única condição a exigir de quem busque a iniciação maçônica seja aquela
mesma “regra de ouro” usada desde seus remotos dias: a de que ele ou ela seja
“livre e de boas referenciais”. Nada mais.
Alegoricamente, uma Loja maçônica
é o próprio mundo; simbolicamente, suas medidas se calculam, o
comprimento do Leste ao Oeste, a largura do Norte ao Sul, e a profundidade do
Zênite ao centro da Terra. Portanto ela está capacitada a acolher em seu
recinto os povos procedentes de todos os quadrantes e a tornar-se o Templo
Universal, acima de todo sectarismo. Então, e só então, daquela Sublime Loja
Branca no Alto, da qual o próprio G.'.A.'.D.'.U.'. é o Grão Mestre, lhe fluirão
aquela tão decantada Suprema Benção e Paz que ultrapassam o entendimento
humano.
fonte: https://sites.google.com/site/portaldemaconaria/trabalhos-e-pesquisas/licoes-de-aprendiz/liberdade-igualdade-fraternidade
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